O coaching, a mídia, a novela e o fato concreto.

O coaching, a mídia, a novela e o fato concreto.

Por: Orlando Rodrigues

 

Eis que o coaching, virou mídia, se tornou global, que legal. Só não pode ser banal. Ainda pouco conhecido, mas muito difundido no Brasil, nos últimos 5 anos, o coaching vem cada vez mais atraindo novos adeptos, principalmente pessoas que desejam se tornar coaches. Na verdade, muito mais que aqueles que desejam um atendimento de coaching. Obviamente, diante desse quadro é possível termos coaches se trombando por aí.

A terminologia coaching, segundo o IBC – Instituto Brasileiro de Coaching. vem desde a idade média, sendo atribuída ao condutor de carruagens, os chamados cocheiros, aquele que conduz o coche, as carruagens, e que, mais tarde, foi utilizado nas universidades e no esporte, mantendo o sentido original de condução de alguém a algum lugar.

O tempo foi passando e o coach chegou dentro das empresas. Lembro-me de ter assistido na década de 80, um filme, chamado coach Carter, que era usado em treinamentos empresariais.

O coaching chegou ao Brasil lá por volta dos anos 1990 e vem aos poucos entrando na vida das pessoas, mas ainda de maneira tímida, em minha opinião. As pessoas ainda têm dificuldade de entender do que se trata. É comum ouvirmos por aí, “me desculpa a ignorância, mas o que é coaching?”.

Em que pese a dificuldade de algumas pessoas em compreender o processo e se dispor a pagar pelo preço de uma seção (há quem cobre 60, há quem cobre 600 ou mais), tem havido uma grande procura pelos cursos de formação.

Eu fui um deles, há mais de 5 anos. Fiz minha formação e obtive as certificações necessárias a atuação como coach profissional.  Na medida do possível, tenho atuado e feito atendimentos, porém, opto, boa parte das vezes, por utilizar as ferramentas de coaching nas atividades que realizo de docência, consultoria e até em conversas informais.

O processo de coaching é, de fato, muito poderoso. E proporciona resultados. Não há como negar, pois, se trata de um processo que ocorre dentro das pessoas, por ação das próprias pessoas.

Todavia, sempre me preocupou a banalização. A forma como alguns coaches se dirigem ao público, como se fossem pessoas encantadas, sempre felizes, totalmente resolvidas na vida e detentoras de sucesso fabuloso. Fazem vídeos, na linha de auto ajuda, realizam palestras show, tal qual um promotor de marketing multinível e se esforçam no sentido de convencerem as pessoas a conhecerem o processo e se formarem também.

 

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O fato é que hoje existem muitos coaches, cada qual tentando abocanhar sua fatia de mercado, sua clientela, ganhar dinheiro com a atividade. Há inúmeras instituições formadoras, dezenas de cursos e muita mídia em torno do assunto, no intuito de tornar a atividade conhecida, popular e, obviamente, de alguma forma, rentável ao batalhão de pessoas que se formaram na atividade com a esperança de faturarem uma grana, às custas da instabilidade alheia, sobretudo, nos aspectos de gerenciamento do tempo, foco e automotivação.

A recente repercussão do merchandising sobre coaching difundido em horário nobre, em uma telenovela da Globo, tem gerado uma celeuma de certa forma interessante no que tange ao propósito de tornar o processo conhecido.

Na linha do falem mal, mas falem de mim, o senhor José Roberto Marques, por meio de seu IBC, acabou ganhando mais espaço do que propriamente na novela.

Não assisto a novela, mas não tem como negar que o assunto me deixou curioso e passei a acompanhar as repercussões e cheguei a assistir no youtube, um trecho da novela em que duas personagens falam sobre uma espécie de tratamento alternativo e inovador. Confesso que foi constrangedor ouvir da personagem a citação de José Roberto Marques e do IBC.

Me formei no IBC. Conheço o José Roberto e o admiro muito enquanto profissional e também o considero uma grande referência nacional, assim como o Instituto em que me formei. Mas, foi constrangedor.

Foi constrangedor, porque ficou muito claro que através do merchandising é possível transformar qualquer coisa em ouro, principalmente se usarmos a grande mídia. E isso vale para todo o tipo de situação.

Não é à toa que Pablo Vittar, hoje, é referência musical no Brasil. Ele e tantos outros personagens da vida cotidiana do Brasil, que, de repente, se tornam famosos.

Toda a celeuma e embaraço provocados pelo tema, na novela, se deve ao fato de certas ferramentas de coaching, muitas oriundas da Psicologia, serem utilizadas por outros profissionais, que, não sendo psicólogos, utilizam de técnicas restritas a essa profissão.

É bem provável que a rede Globo, depois de tanta polêmica vai dar um jeito de capacitar a tal personagem advogada e coach, como Psicóloga também. Basta escrever algumas linhas, gravar e está tudo resolvido.

O fato concreto é que o processo de coaching proporciona ótimos resultados sim e que mais pessoas deveriam ter acesso a esse processo, para ajudar na condução de novos rumos para a vida. É fato concreto também que buscar profissionais capacitados é condição fundamental para o sucesso na vida real.

 

Orlando Barbosa Rodrigues – Administrador com especialização em Recursos Humanos, professor, mestre em ciências da educação, coach profissional, consultor, palestrante, assistente técnico em perícias contábeis e extrajudiciais, autor de livros e artigos sobre administração, coaching e liderança. Consultor associado à ABRACEM.