Max Endoidou? Meu sim aos Planos de Carreira.

Max Endoidou? Meu sim aos Planos de Carreira.

Max Endoidou? Meu sim aos Planos de Carreira.

 

Recentemente li uma matéria em que Max Gheringer teria dito que plano de carreira não existe mais e que a meritocracia prevalece.

Com todo respeito ao renomado “guru” da Globo, sendo dele, de fato, tal afirmativa, me permita discordar parcialmente, pois, na verdade, meu entendimento é que com a meritocracia, aí sim, faz sentido a existência de um plano de carreira.

Todavia, antes de defender meu ponto de vista, registro também a minha opinião em relação ao que os “gurus” da atualidade vêm dizendo por aí. Vez ou outra surge um nome que se torna figurinha carimbada nas redes sociais, com a incrível capacidade de discorrer sobre todo e qualquer assunto, seja bem ou mal, desde que seja bem pago para isso.

Não há como negar que são pessoas muito influentes, de grande conhecimento, formação, estudos e uma notável habilidade em dizer o que o público adoraria ouvir. Não preciso citar nomes, pois o leitor já identificou alguns deles, já nesses primeiros parágrafos de minha escrita.

Do mesmo modo, começam a surgir os seus antagonistas, ou seja, aqueles que aparecem nos mesmos canais de redes sociais, contrapondo as ideias e discursos desses midiáticos mentores.

As redes sociais têm sido cada vez mais frutíferas, surgindo pessoas de todas as áreas se intitulando os grandes conhecedores de determinado assunto, cheios de pirotecnia, seguidores e uma grande estrutura de apoio midiático, sobretudo o marketing digital, para fazer desses os novos gênios e pensadores da atualidade.

Na área da administração; dos negócios; das finanças; na filosofia; sociologia; comportamento humano e tantas outras áreas, inúmeros são os exemplos.

Não é meu objetivo aqui criticar ou depreciar o trabalho de nenhum deles, até porque são pessoas de sucesso e muito bem-sucedidas em suas respectivas áreas de atuação. Todavia, isso não os exime de eventuais enganos, contradições, ou falácias, muitas vezes estimulados por quem os financia, os patrocinam e pagam pelos seus serviços.

Nesse sentido retomo a questão da “afirmativa” de Gheringer em relação a uma possível inexistência de Plano de Carreira e proponho algumas reflexões em torno das considerações que vou registrar, tentando fazer um paralelo com algumas coisas que teriam sido ditas pelo Max e publicadas em um certo portal de notícias, na internet.

Para o leitor se inteirar do que estou dizendo vou reproduzir um trecho de uma afirmação de Max, cuja entrevista pode ser lida na íntegra, ao clicar no link https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2017/09/max-gehringer-plano-de-carreira-nao-existe-mais-a-meritocracia-prevalece-9884788.html .

Pergunta feita a ele: “As empresas perderam o interesse em lapidar um talento que possa virar um futuro líder ou alto executivo?”

Resposta dada: Uma coisa chamada plano de carreira, que eu ouvia muito falar nas empresas, com planejamento para os funcionários para daqui a três ou cinco anos, pelo menos, não existe mais. São raríssimas as companhias que mantêm planos de carreira. Se você faz um tipo de promessa dizendo que daqui a dois ou três anos o funcionário vai ser líder ou gerente, e não a cumpre, terá um cara descontente. A meritocracia está prevalecendo. Quem tem mais condições de ser promovido irá crescer, e não o mais antigo da casa. As empresas com mais visibilidade, grandes empresas nas quais todo mundo gostaria de trabalhar, estão contratando pessoas esperando que elas produzam muito em muito pouco tempo.

Minhas Considerações: Concordo que muitas companhias não mantêm planos de carreira. Acho isso um erro estratégico. Porém, há um grande equívoco, em minha opinião, na afirmação seguinte. Há uma mistura de coisas e uma grande confusão de afirmações contraditórias. Ora, se o que prevalece é a meritocracia, obviamente um Plano de Carreira consistente irá dar a transparência e o senso de justiça necessário a empresa e seu colaborador, no que tange à gestão de talentos. Todavia, se a empresa e o colaborador não se preocupam com isso, por certo terá dificuldades com o concorrente, caso ele se preocupe.

Max Gheringer exagera e generaliza sem apresentar dados concretos sobre a forma como empresas com mais visibilidade, as grandes empresas, contratam seu pessoal. Para toda regra e até nas regras de Max, sempre há exceção.

Contratar alguém, na expectativa que ela produza o máximo em menos tempo é tão antigo quanto as teorias fordistas ou tayloristas e isso só se percebe com um programa de avaliação de desempenho, baseado em competências, ou seja, no contexto de um plano de carreira.

A ideia de alguém crescer na empresa apenas com base no seu tempo de casa, sem levar em consideração o mérito ou o desempenho da pessoa, me parece utópico, no caso de empresas privadas. Ninguém vai ficar segurando mala por aí se o interesse da empresa é crescer e lucrar. A pessoa pode até crescer em termos de remuneração, ao considerar essa premissa, em virtude do tempo de casa, porém, com a reforma trabalhista tal possibilidade caiu por terra.

Ao contrário do que se atribui a fala de Max Gheringer, sobre a não existência de Plano de Carreira, o que importa, de fato, é o estabelecimento de regras claras de Gestão baseada na avaliação e mensuração de Competências Técnicas e Competências Comportamentais. Sabemos que isso não se consegue na base do empirismo. Tem que haver método. Tem que haver plano.

Sendo assim, me permito discordar das afirmações atribuídas ao respeitável guru de Carreiras. Desejo crer que ele foi mal interpretado em suas colocações.

Ademais, sobre os demais gurus que aparecem na mídia por aí a fora, recitando, declamando e afirmando um monte de coisas, muitas sem sentido e outras controversas, cabe ao público em geral, consultar as fontes, averiguar as afirmativas e tirar suas próprias conclusões, sem ter que ficar apenas balançado a cabeça e concordando com tudo. O conhecimento agradece.

 

Prof. Ms. Adm. Orlando Rodrigues